Safári na África

Cratera de Ngorongoro – Tanzânia

Um lugar surreal

Sabe aquela paisagem tão linda que parece até um pintura? Na qual cada cor e cada bicho são como delicadas pinceladas que resultarão em uma obra de arte ímpar? Parece até um pouco de delírio falar dessa forma, mas a verdade é que não dá para explicar com palavras o que achei desse lugar. Estive arrepiada do primeiro segundo que coloquei meus olhos na Cratera de Ngorongoro, ainda no caminho do aeroporto ao lodge, até quando estávamos indo embora, olhando-a pela janelinha do avião.

O vídeo abaixo é a prova de que não estou exagerando:

A Cratera fica em uma zona chamada Área de Conservação de Ngorongoro, no norte da Tanzânia (vizinha ao Serengeti), e foi formada há aproximadamente 2.5 milhões de anos. Era uma montanha vulcânica altíssima, dizem que mais alta do que o Kilimanjaro (a mais alta da África). Ao entrar em erupção, colapsou e parte das “bordas” do vulcão caíram para o lado de dentro, formando o que vemos hoje: uma área com 260km2 (a Cratera tem 19km de diâmetro), cercada por “paredes” de 500m de altura. A maior e mais intacta caldeira do planeta.

A magia de se fazer um safári dentro da Cratera de Ngorongoro vai além do visual surpreendente (uma área plana cercada de montanhas altas – bem UAU). Pois é como se os animais ficassem “presos” dentro dela, ou seja, uma enorme concentração de vida selvagem. E ainda é fácil encontrá-los, pois trata-se de uma área grande, porém “limitada”. Claro que não há cercas… Os animais são livres para ir e vir. Mas não há a menor necessidade de sair já que do lado de dentro há comida em abundância e perfeitas condições de vida. São aproximadamente 5.000 zebras, 15.000 gnus, 500 hienas, entre 70-100 leões… Impossível olhar em qualquer direção sem ver bichos e mais bichos, tudo junto e misturado.

Casal de leões (e uma gazela atrás) na Cratera de Ngorongoro
Amanhecer na Cratera de Ngorongoro
Baby zebra mamando em sua mãe, na Cratera de Ngorongoro (e um gnu atrás)

Antes de ir para a Tanzânia, já tinha feito safári na África do Sul (no início dessa mesma viagem – contei mais aqui), mas confesso que são experiências completamente diferentes. A quantidade absurda de animais, uma parte cultural fortíssima (a Cratera está rodeada de tribos Maasai – são mais de 60.000 integrantes dessas comunidades), a história da formação da Cratera, que é super interessante, e a paisagem única fizeram com que essa tenha sido uma das viagens mais marcantes que já fiz.

Mulheres de um vilarejo Maasai na Área de Conservação de Ngorongoro

O fato de nos hospedarmos em um lodge fabuloso, o &Beyond Ngorongoro Crater Lodge, também tornou a experiência ainda mais especial.

Na varanda do nosso quarto no &Beyond Ngorongoro Crater Lodge
Quarto no &Beyond Ngorongoro Crater Lodge
Banheira com vista para a Cratera – &Beyond Ngorongoro Crater Lodge

***

Você vai encontrar aqui nesse post todas as informações para a sua viagem para a Cratera de Ngorongoro, na Tanzânia. Localização exata, como chegar (como são os vôos e qual o aeroporto mais próximo), melhores hotéis / lodges para se hospedar perto da Cratera (o &Beyond Ngorongoro Crater Lodge é fantástico!), clima, melhor época para ir, como são os safáris (game drives), que animais você encontrará, passeios como visita a uma Tribo Maasai e outras dicas úteis.


Sobre o lugar

Por se tratar de uma área de conservação, há taxas altas a serem pagas para visitá-la (e juro que vale cada centavo). O valor é de US$170 (Crater Fees) + US$142 (Park Fees) + US$3 (Tourism Development Levy) por pessoa/por dia. Por isso, normalmente os visitantes descem até a Cratera para fazer safári uma única vez (ou duas) durante a estadia.

Mas não pensem que é pouco. Devido à alta concentração de animais em um espaço relativamente pequeno, é possível ver praticamente TUDO em algumas horas (é sério… Vimos infinitas zebras e gnus, leões fazendo sexo, búfalos reunidos, búfalos solitários, antílopes das mais variadas espécies, hienas, elefantes passeando de perto e de longe, rinocerontes, flamingos e muito mais). Todas as fotos de bichos que vocês vêem aqui nesse post foram tiradas em um safári que começou às 6:30 da manhã e terminou às 15h (tomamos café da manhã e almoçamos na Cratera).

Café da manhã servido durante o safári, dentro da Cratera

Algumas curiosidades da Cratera de Ngorongoro e de seus animais:

  • Os elefantes da Cratera tem os dentes maiores do que a média por causa do cálcio que há no solo.
  • Não há girafas dentro da Cratera porque a camada de solo é fininha, fazendo com que quase não existam árvores. Girafas precisam de árvores para comer! 🙂 Mas vimos girafas na estrada entre o lodge e a Cratera.
  • Em compensação, há milhares de gnus (15.000) e zebras (5.000) e outras centenas de animais.
  • O comportamento de hienas e leões são completamente diferentes dentro da Cratera. O normal é que o leão cace mais e as hienas comam os restos. Mas como a concentração de hienas ali é muito maior (aprox. 500 vs. 70), acontece justamente o contrário.
Elefantes e seus dentes enormes
Hiena se refrescando durante o dia
Um leão no intervalo entre “um namoro e outro”
Muitas e muitas zebras!

*** CLIMA – Quando ir? ***

Oficialmente a temporada seca vai de junho a outubro e a temporada de chuvas vai de novembro a maio. Nos disseram que o mês que mais chove é abril, quando vários lodges fecham (mas o que ficamos, &Beyond Ngorongoro Crater Lodge, permanece aberto). Mas quanto a frio ou calor, funciona assim: de outubro a março – VERÃO (máx. de 30ºC) /// de abril a setembro – INVERNO (mín. 8ºC).

Fomos no final de fevereiro e achei o clima simplesmente perfeito para esse tipo de viagem. Pegamos apenas uma chuva forte e rápida e fazia um friozinho gostoso (quando uma calça jeans e blusa de manga longa resolvem). De manhã bem cedo e a noite fazia frio no lodge, que fica no alto da borda da Cratera, a 2.200m do nível do mar, mas nada extremo. Os dias estavam lindos, ensolarados e a paisagem completamente verdinha.

A altíssima temporada vai de junho a agosto, quando é férias de verão nos Estados Unidos e Europa (isso significa preços mais altos).

Um dia lindo de sol na Cratera de Ngorongoro – Fevereiro/2017

*** ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONAL ***

Eu nunca viajo sem seguro de saúde internacional. Sempre faço o meu pela REAL Seguros e recentemente precisei usar e fui super bem atendida (estava na África, em setembro/16). Após compra online, a apólice chega por email em minutos. Quando você faz seu seguro por aqui, eu ganho uma pequena comissão (você paga a mesma coisa). 

Atenção! A Área de Conservação de Ngorongoro é uma zona endêmica de MALÁRIA. Use repelente, calças e blusas com manga, principalmente de manhã cedo e no fim da tarde, quando há mais mosquitos.

↑ Voltar ao começo do post


Como chegar / Onde ficar

*** VÔOS ***

Não há vôos diretos do Brasil para a Tanzânia. O mais recomendado é ir para Joanesburgo, na África do Sul (vôos diretos de São Paulo com apenas 8:30 de duração), e de lá para Zanzibar (ou para Dar Es Salaam, principal cidade da Tanzânia). Dentro da Tanzânia, fizemos todos os trechos com a COASTAL AVIATION, que é excelente.

A Coastal é a cia aérea que chega nos lugares mais remotos da Tanzânia e pousa nas pistas mais próximas dos lodges e dos destinos mais interessantes de safári ou de praia. Recomendo!

Avião da Coastal – para viajar dentro da Tanzânia

O aeroporto (na verdade, é uma pista de pouso – bem simples!) mais próximo da Cratera de Ngorongoro é o de LAKE MANYARA. Mas ainda está a aproximadamente 1h40 de carro da área da Cratera. Contratamos o transfer com nosso próprio hotel.

Airport pick-up do nosso lodge &Beyond – que boas-vindas!

*** VISTOS & VACINAS ***

Brasileiros precisam de visto para entrar na Tanzânia, mas a única maneira de tirá-lo é “on-arrival” (na chegada, no próprio aeroporto, e não precisa fazer nada previamente). Apenas leve US$50 em dinheiro, que é o valor do visto por pessoa (levar quantia exata). A vacina contra febre amarela também é obrigatória.

*** HOTÉIS *** 

Sem dúvidas, esse hotel foi um dos grandes responsáveis por fazer com que nossa viagem fosse impecável. A começar por sua localização, praticamente encaixado nas bordas da Cratera, com a vista mais incrível possível.

Adorei o estilo do lodge, pois é bem rústico (o que está muito de acordo com o entorno – completamente integrado à natureza e à cultura local) mas ao mesmo tempo tem elementos ultra luxuosos, como lustres de cristais, tapetes persas e almofadas de veludo. Adorei esse mix.

Está dividido em três camps: North (12 quartos), South (12 quartos) e Tree (6 quartos). Cada um tem suas próprias facilidades (restaurante, bar, funcionários…) e trabalha de maneira independente. Os quartos têm layout e decoração similares, o que muda mesmo é a localização. Nós ficamos no North Camp.

Os quartos são enormes, com cama king size (com cobertores elétricos), lareira e um banheiro espaçoso, com duas pias, ducha e uma banheira estrategicamente posicionada de frente para a janela que, claro, tem vista para a Cratera. Chegar no quarto e encontrar a banheira sempre cheia de água quentinha, enfeitada com pétalas de rosas, era bem convidativo. 🙂

Os hóspedes contam com mordomo, que está sempre à disposição para tornar a estadia ainda mais perfeita. Arrumam seu quarto, acendem a lareira enquanto você está jantando para voltar e encontrar o quarto quentinho, preparam banho de banheira, servem o café da manhã e o jantar… Enfim, fazem TUDO mesmo. E sempre de maneira discreta e eficiente.

As refeições são realizadas no restaurante do camp, que tem ambiente elegante. Menu à la carte, composto de pratos internacionais (deliciosos), mas sempre com opções swahilis (comida local). Nosso primeiro jantar foi bem animado! Um grupo entrou cantando músicas típicas (entre elas, a original Hakuna Matata) e o clima ficou descontraído. Como esse povo é simpático!

O lodge não é cercado, então é normal encontrar animais próximos aos quartos. Por isso, é estritamente proibido sair do quarto a noite sem estar escoltado (vimos búfalos da janela, por exemplo). Basta ligar que eles mandam a escolta para te buscar, em alguns minutos. Me senti bem segura.

Amei tudo no &Beyond Ngorongoro Crater Lodge, mas especialmente o serviço. O staff é realmente muito atencioso e simpático, sempre pronto para surpreender.

Ah, cabe dizer que está TUDO incluído no valor da diária: todas as refeições (café da manhã, almoço, lanche, jantar), bebidas alcóolicas e não alcóolicas, passeios e até mesmo serviço de lavanderia. À parte apenas as taxas de conservação/entrada dos parques, transfers, excursões extras ou caso deseje que seu safári seja privado (o nosso foi realizado em 4 hóspedes + o guia).

Site do hotel: andbeyond.com/ngorongoro-crater-lodge
Veja aqui outros lodges &Beyond na Tanzânia ou em outros países.

Fiz um post contando todos os detalhes da nossa estadia no &Beyond Ngorongoro Crater Lodge. Clique aqui para ler.

Os quartos do &Beyond Ngorongoro Crater Lodge
Banheira e quarto com cama king-size (com cobertor elétrico)
Varandinha mais do que especial e com uma bela vista!
O mordomo prepara seu banho para quando você chega do safári
Lareira no quarto
Bar – &Beyond Ngorongoro Crater Lodge
Restaurante – &Beyond Ngorongoro Crater Lodge

Um dos pratos do jantar no lodge
Nosso quarto ficava no North Camp.
South Camp – &Beyond Ngorongoro Crater Lodge – um pouco mais a frente e perto da Cratera

>>> Pesquise aqui outras opções de hotéis e lodges próximos a Cratera de Ngorongoro.

↑ Voltar ao começo do post


O que fazer / Roteiros

Recomendo ficar pelo menos 2 noites na área de Ngorongoro.

O que fazer:

  • Safári dentro da Cratera de Ngorongoro

Os carros que circulam na Cratera devem ser obrigatoriamente fechados (com janelas de vidro e tetos que abrem). São grandes e é até possível circular dentro deles e ficar de pé. Os da &Beyond têm mantinhas sobre os bancos para se cobrir, caso esteja frio (normalmente de manhã cedinho, quando os safáris começam, as temperaturas estão baixas). Não há “trackers” nos carros (aquela pessoa que fica sentada na frente do carro, a procura dos animais) e não há a menor necessidade (é MUITO bicho! rs).

Dentro da Cratera há caminhos demarcados e não é possível circular “off-road” (como no Serengeti, por exemplo). Há uma estrada para descer (entrar na Cratera) e uma para sair, e esse caminho, lodge-Cratera, leva em torno de 40 minutos. Como comentei acima, em “sobre o lugar”, há uma taxa de conservação a ser paga para poder visitar o local.

Nós fizemos apenas um dia de safári, porém bem longo. Partimos do lodge às 6:30 da manhã e voltamos apenas às 15h. Foi perfeito… Vimos tudo o que tinha para ser visto e em nenhum momento a atividade se torna enjoativa, já que a quantidade de animais é infinita! Sempre há algo interessante à vista.

Tomamos café da manhã e almoçamos lá embaixo. O &Beyond organiza tudo. Já leva tudo dentro do carro: mesinha, talheres, pratos, comidas, bebidas… E se tiver alguma restrição alimentar, só avisar previamente que eles se adequam. Fato importante: há banheiros espalhados (e escondidinhos) na Cratera. Normalmente os guias fazem as paradas para lanche nesses locais.

Oficialmente o lodge &Beyond realiza dois game drives (safáris) por dia (6h às 14h ou 15h às 18h), mas você pode conversar com seu guia para adaptar o horário. Os passeios não são privados e é importante que todos estejam de acordo. Há opções de passeios privados, mas é preciso pagar uma quantia extra.

Modelo dos carros que fazem game drives na Cratera de Ngorongoro
Baby hipopótamo
Búfalos reunidos dentro da Cratera de Ngorongoro
E essas cores??!
Elefantes maravilhosos passando por nós durante o safári na Cratera
Estradas marcadas – não é possível dirigir off-road na Cratera
  • Visita a um vilarejo Maasai

O povo Maasai habita o norte da Tanzânia e o sul do Quênia e são conhecidos por seus altíssimos pulos (um estilo de dança), cantorias e vestimentas em um tom de vermelho forte (são como cobertores amarrados no corpo).As mulheres usam gigantescos colares no pescoço, que têm significados importantes. Representam sua identidade e posição na sociedade. Antigamente, as pecinhas dos colares eram feitas a partir de matérias primas locais, como sementes, argila, ossos, marfim etc. mas depois da chegada dos europeus, passaram a usar miçangas de vidro mesmo. As mulheres cantam e dançam sacudindo seus colares gigantes com movimentos de clavícula e ombro.

Há várias tribos vivendo nos arredores da Cratera (cerca de 60.000 indivíduos no total) e é possível visitar algumas delas. A que fomos estava bem preparada para o turismo, nos recebendo com músicas de boas-vindas e vendendo souvenirs (negocie!!!). Mas mesmo sendo bem turística e não tão genuína, foi interessante para entender como vivem. Achei fantástico pode conhecer uma cultura tão diferente!

O povo Maasai tem cultura de pastoreio. Criam gados, ovelhas e cabras, em harmonia com a vida selvagem. Não estão autorizados a viver e pastorear seus animais dentro da Cratera, apenas em situações extremas de seca.

Trata-se de uma cultura nômade. Seu povo vive em casas feitas com terra, bambu e estrume de vaca. De noite, colocam as vacas dentro do acampamento (e os bebês de vaca dentro de suas próprias casas!) para protegê-las dos leões. São casas pequenininhas, construídas pelas mulheres da tribo. Cozinham dentro da casa e o fogo ajuda a manter a temperatura. Dizem que não é uma fumaça tóxica mas eu não consegui ficar nem dois minutos ali dentro. :O

Homens da tribo Maasai – jump dance!
As mulheres da tribo Maasai com seus colares enormes
Essas são as casas feitas com barro, bambu e estrume de vaca
Vilarejo Maasai na Área de Conservação de Ngorongoro

E aí, o que achou da Cratera de Ngorongoro? Não é o máximo? Seu visual, sua história, seus animais, seu povo… É de cair o queixo, de babar, de arrepiar, de ficar sem palavras e de todas as expressões existentes que TENTAM explicar algo que simplesmente não tem explicação. Só vivendo mesmo!

Beijos, Lala Rebelo

. Acompanhe minhas viagens ao vivo pelo Instagram @lalarebelo
. Curta minha página no Facebook /lalarebelotravelblog
. Inscreva-se no meu canal no Youtube /lalarebelo

Leia os outros posts da minha viagem pela Tanzânia:

↑ Voltar ao começo do post

Comentários